Memória da Censura no Cinema Brasileiro (1964 - 1988)

Petrobras Apresenta

O grande perigo para quem respira liberdade é esquecer os tempos do sufoco. E esquecer pode significar, muitas vezes, abrir espaço para que os absurdos do passado voltem ao cenário atual. Por isso, qualquer esforço – quando sério e bem intencionado – de mostrar as feridas de antes pode contribuir, e muito, para evitar que elas voltem a se abrir amanhã. Não se trata de revanchismo ou de alimentar ressentimentos: ao contrário, trata-se de assegurar que as janelas da criação intelectual permanecerão para sempre abertas.

Bom exemplo disso é o trabalho de Leonor Souza Pinto em sua pesquisa sobre a censura imposta ao cinema brasileiro entre 1964 e 1988. Um mergulho minucioso, rígido em seus critérios e generoso em sua amplidão, em processos da censura sobre 444 filmes brasileiros. Uma visita aos tempos de breu que os porões do poder impuseram sobre a obra de cineastas de várias tendências e expressões, numa lista que incluía nomes como Cacá Diegues e Leon Hirszman, Arnaldo Jabor e Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro e Hector Babenco, Glauber Rocha e Ruy Guerra, José Mojica Marins e Rogério Sganzerla, Carlos Reichenbach e Alberto Salvá – ou seja, um panorama do cinema brasileiro contemporâneo que se alarga a cada nova etapa concluída.

Em seu trabalho, Leonor Souza Pinto defende o seguinte: a ação da censura não foi aleatória, não foi atabalhoada. Ao contrário: quem censurava sabia muito bem o que estava fazendo, e tinha suas razões bem fundamentadas.

Todo o acervo meticulosamente reunido na pesquisa de Leonor Souza Pinto está sendo aberto ao público através da internet, além de DVDRoms distribuídos a instituições públicas de todo o Brasil. É o oposto da ação da censura: na verdade, esse material está sendo colocado à disposição da opinião pública, para que se informe dos métodos utilizados por quem se atribuiu o direito de determinar o que podia e o que não podia ser mostrado.

Ao apoiar esse projeto, a Petrobras, maior empresa brasileira e maior patrocinadora das artes e da cultura do Brasil, cumpre, uma vez mais, com seu compromisso de contribuir para o desenvolvimento do país. Por quê? Ora, porque um país que não conhece sua história, que não respeita sua arte, dificilmente será um país desenvolvido. Um país que não conhece o seu passado, mesmo em seus lados mais sombrios, dificilmente vislumbrará o futuro – quanto mais, chegar a ele.

Somos, sim, uma empresa de energia. Mas, acima de tudo, somos uma empresa profundamente comprometida com o futuro de todos nós.

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